“Revolutionary Road” por Carlos Lopes

 

Um conto de sonhos falhados. Um oposto ao paradigma de Hollywood. Um caminho revolucionário, literalmente, na forma de narrativa apresentada por este filme de Sam Mendes e pela abordagem dos seus temas, baseado no livro de Richard Yates.

Frank (Leonardo DiCaprio) e April (Kate Winslet) conhecem-se, apaixonam-se, mudam-se para os subúrbios, em Connecticut, como um casal normal dos anos 50. Um casal vencido pela monotonia, a efemeridade e a necessidade de aceitação. Frank estabilizou num emprego que o aborrece, April anseia por algo mais, por uma vida que está para além dos convencionalismos deste subúrbio, onde as pessoas se arrastam.

É então que surge uma luz no horizonte, uma ideia que pode mudar tudo. A esperança que pode virar do avesso tudo o que experimentaram até ali, e colocar em causa toda a comodidade e rotina a que eles e os vizinhos estão habituados. Mas aparentemente, sonhar tão alto tem um preço bastante elevado.

Afinal o que move alguém para que se instale na rotina diária? O comodismo? A sensação de segurança por fazer parte de uma sociedade e corresponder às suas exigências e convenções? Podemos sonhar mas rapidamente se erguem barreiras que impedem os sonhos de avançar. É nestas circunstâncias que encontramos Frank e April, excelentemente representados por DiCaprio e Winslet que mantêm o filme bastante firme, e o aguentam aos ombros. O casal junta-se de novo após “Titanic” e neste filme provam como evoluíram e amadureceram desde aí, tornando-se dois nomes respeitados tanto pela crítica como pelo público. Ambos dão corpo e alma às suas personagens, aos seus medos, às suas dúvidas.

Sam Mendes prova também mais uma vez o talento que tem como realizador, depois de deslumbrar com “American Beauty” e “Road to Perdition”. Este filme é emocionalmente intenso, como Mendes já havia provado ser capaz de fazer e onde sentimos todas as personagens de uma forma simples e ao mesmo tempo profunda.

Este é um filme que induz à reflexão. Um filme que não será a melhor escolha para quem busque apenas entretenimento, mas que satisfará quem quiser ver um drama conduzido de forma excelente.

8/10

Carlos Lopes

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