“Milk” por Carlos Lopes

(Fotos: Divulgação)

Em 27 de Novembro de 1978 Harvey Milk é assassinado. Mas o primeiro homossexual assumido a ser eleito a um cargo público nos EUA deixou para trás um legado que ainda hoje é lembrado neste “Milk” de Gus Van Sant.

E não será exagero dizer que fazia falta um filme assim. “Milk” chega como uma chamada de atenção para a sociedade, não só como biopic para Harvey, mas também para o que ele simbolizou na América dos anos 70. E o que simbolizaainda hoje. Daí que seja difícil distinguir o indivíduo do movimento que ele gerou, pois ambos se completam.

Em 1972, Harvey Milk acompanha uma migração da população homossexual para o distrito Castro, em San Francisco, e toma partido no crescimento do poder político para fazer ver os seus interesses, ganhando lentamente os votos das minorias.

Gus Van Sant é o realizador perfeito para esta obra. A sua realização é apaixonante, denotando até onde ele realmente se envolveu nesta história. E soube escolher o elenco perfeito para lhe dar vida. Sean Penn adiciona mais um excelente desempenho à carreira e junta-se a nomes como James Franco, Emile Hirsch, Diego Luna e Josh Brolin, todos eles em ascensão. Penn humaniza a sua personagem de um modo comovente, criando um homem de certa forma vencido pela vida, mas empenhado em levar sempre em frente os objectivos a que se propõe, arriscando para isso muito do que lhe é querido.

Um sacrifício que acaba por lhe trazer a morte, mas não sem ver os direitos dos homossexuais defendidos na lei, o que levou a que o seu nome sobrevivesse como um ícone da sua luta e do movimento LGBT em geral.

O lado humano é o que sobressai desta película, um lado que a aproxima o espectador, qualquer que seja a sua escolha sexual, que nos diferencia a todos, mas que nos une como iguais – acaba por ser essa a grande questão, aqui equilibrada entre o lado pessoal e o lado público de uma personagem.

O importante não é ver este filme como um clássico de cinema gay, mas como um filme para todos – já com “Brokeback Mountain” (2005) se cometeu o mesmo erro – independentemente do lado político.

Gus Van Sant consegue uma obra memorável e triunfante em todos os aspectos, desde o argumento, até à magnifica interpretação de Sean Penn e ainda com a banda sonora de Danny Elfman a completar o tom. Este é um filme indispensável.

8/10

Carlos Lopes

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