
Nicolau Breyner já havia afirmado que este “Contrato” era puro entretenimento. E assim é. Mas a desculpa do entretenimento em Portugal parece servir para apresentar alguns dos piores exemplos de narrativa que temos para oferecer.
Peter Mcshade (Pedro Lima) é um assassino profissional. Na sequência de um trabalho mal sucedido, volta a Portugal onde recebe um novo contrato para eliminar Georgios Thanatos (Nicolau Breyner) um chefe da Máfia com o controlo da Península Ibérica. Atacado na rua por um grupo de desconhecidos, Peter acaba no hospital onde encontra Júlia (Cláudia Vieira), uma enfermeira com quem acaba por se envolver. Mas à medida que se prepara para executar o contrato percebe que nada é o que parece.
Nada é o que parece, infelizmente e no mau sentido. “Contrato” está repleto de momentos mortos, desprovidos de qualquer clima de tensão o que, em última análise, acaba por torná-lo bastante aborrecido.
O primeiro de todos os problemas reside sem dúvida no argumento. A história principal é facilmente aceite a partir da altura em que o espectador é inserido no mundo das operações secretas, mas os restantes sub-plots, incluindo os antecedentes do personagem principal, são inseridos a murro e não contribuem de qualquer forma para o resto do filme.
E há que dizer que este será um dos assassinos profissionais menos inteligentes alguma vez vistos: descuidado, facilmente manipulável e bastante inexpressivo. Peter nunca deixa um contrato a meio… mas esta é logo a primeira coisa que ele faz no filme.
Também para quebrar o ambiente está a direcção fotográfica. Num filme gravado em digital, a fotografia tenta impor-se de forma demasiado intensa.
Na nossa cinematografia parece sempre existir espaço (bastante espaço diga-se) para as acções menos interessantes das personagens: Peter chega de carro, lentamente, estaciona, abre a porta, fecha a porta, fecha o carro, dirige-se lentamente para o edifício…e este tipo de situações é repetida muitas vezes ao longo do filme… o homem é um assassino profissional, a vida dele supostamente não é aborrecida. Porque cortar para o essencial, para planos que de facto sirvam a narrativa?
A falta de jeito de Cláudia Vieira e Sofia Aparício são, infelizmente, uma realidade que contrasta com o talento de actor (aqui menos evidenciado do que noutras ocasiões) de Nicolau Breyner e até com um certo dinamismo de Pedro Lima.
O final é tudo menos surpreendente porque no meio da mescla narrativa que tenta ser mais inteligente do que realmente é, o espectador já perdeu a empatia com as personagens e qualquer interesse pelo seu destino.
Esta é mais uma produção nacional a passar à frente, que tem o lado positivo de tentar inovar mas falha o alvo.
2/10
Carlos Lopes

