
Em 1977 David Frost conduziu uma série de entrevistas ao ex-Presidente Richard Nixon, numa era pós-escândalo de Watergate. Estas foram alvo de grande mediatização e revelaram alguns segredos, que deixaram o público boquiaberto.
O grande trunfo deste drama histórico reside nestas duas interpretações, mas o filme tem em si outras componentes que o tornam uma obra imperdível para os cineastas, embora talvez menos relevante para o restante público. Ron Howard já provara ser também um realizador talentoso, embora muitos considerem a sua filmografia inconstante, sendo o último “The Da Vinci Code” um ponto baixo na sua carreira. Mas sem dúvida que ao ver “Frost/Nixon” é perceptível a mão de Howard com um estilo próprio e que deixa bastante espaço aos actores para encarnarem as suas personagens.
Os dois principais encontram aqui uma valente prova de fogo, principalmente Langella, que encarna um Richard Nixon de corpo e alma que enche o ecrã e emite respeito a cada fotograma.
Michael Sheen terá sido mais assunto de conversa na sua interpretação de Tony Blair em “The Queen” mas também consegue aqui uma interpretação notável e bastante convincente.
O filme vive do seu relato, das personagens e dos momentos chave das entrevistas de 1977, e o ambiente criado por Salvatore Totino e pelo compositor Hanz Zimmer só contribui para tornar “Frost/Nixon” ainda mais equilibrado.
Em suma, este é um filme para os amantes da história americana recente e para os cineastas em geral, principalmente para os que têm curiosidade em relação à temporada dos prémios deste ano.
7/10
Carlos Lopes

