
O besteseller de êxito mundial, “Twilight” chega aos cinemas nacionais depois de ter arrasado as bilheteiras norte-americanas, numa produção modesta.
Bella (Kristen Stewart) muda-se para casa do pai quando a sua mãe e o padrasto se aventuram numa nova vida. Introspectiva mas segura de si, Bella vê-se a braços com a integração numa nova escola, num ambiente muito diferente do que conhecia. Aqui, o tempo é quase sempre chuvoso e frio. Edward Cullen ( Robert Pattinson) entra na sua vida ao partilharem uma mesa durante uma aula e desde o início que se percebe que existe uma química inerente ao casal. Mas Edward esconde um segredo que pode pôr em causa a relação de ambos: ele é um vampiro, mas um vampiro ligeiramente diferente daqueles com que Hollywood tem alimentado as nossas mentes.
Este filme pode ser uma grande surpresa para quem não conhece este novo mundo fantástico, mas penso que poderá estar ao nível dos fãs. “Twilight” tem a mão da autora Stephenie Meyer no argumento e apresenta um lado bastante sensível e humano, mesmo tratando de vampiros, que cria uma certa mística em torno desta obra. A relação entre os dois protagonistas, bem como as curiosidades e peripécias que deles advêm são, sem dúvida, o lado mais forte desta adaptação. Já a parte final e a caça feita a Bella por um dos vampiros vilões é um clímax que parece não querer pertencer a este filme, pelo que se denota um ligeiro desequilíbrio.
Kristen Stewart tem neste filme o seu primeiro grande papel como protagonista, depois de uns pequenos secundários em “Into the Wild” e “In the Land of Women”, onde já se revelara uma actriz com talento. Robert Pattinson é mais conhecido pela sua participação em “Harry Potter and the Goblet of Fire”, no papel de Cedric Diggory. Aqui podemos realmente dizer que estamos em território feminino, não só pela protagonista, mas também pelo trio autora, argumentista e realizadora. Melissa Rosenberg (“Dexter; “The O.C.”) juntou-se à autora para escrever o argumento, e a realização ficou a cargo de Catherine Hardwicke. E o resultado é bastante bom, dadas as circunstâncias da história e protagonistas.
A história é original quanto baste e os vampiros continuam a comer carne humana, embora a família Cullen tenha optado por comer unicamente animais, de forma a poder integrar-se na sociedade comodamente; não podem aparecer à luz do Sol porque a sua pele brilha como diamantes; estas e outras curiosidades são bastante mais interessantes de serem descobertas na sala de cinema, de modo que a campanha de marketing do filme estraga um pouco o primeiro grande twist, quando descobrimos que Edward é realmente um vampiro. Entrando na sala com esta informação a primeira hora do filme parece bastante mais óbvia. Se bem que não deixa de ser interessante observar a construção de uma relação, à partida impossível.
Em última instância este é um filme interessante, principalmente para se descobrir a história por detrás deste franchise, e peca unicamente por não criar um equilíbrio com os seus vilões; a sua apresentação surge mais como uma desculpa para colocarmos as personagens principais numa situação de tensão. Entre outros pontos mais negativos este é um filme bem sucedido e uma obra que vale a pena espreitar nas salas de cinema.
7/10
Carlos Lopes

