“Body Of Lies” por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
Roger Ferris (Leonardo DiCaprio) é um membro da CIA tido pelo seu coordenador, o veterano Ed Hoffman (Russell Crowe), como o melhor homem no terreno.

Ao descobrir um novo terrorista a operar na Jordânia, Ferris terá que infiltrar-se no terreno e, embora confie completamente nos aliados, questiona-se se a interferência excessiva não colocará em risco toda a operação, e consequentemente a sua própria vida.

O nível de satisfação global de um filme como “Body of Lies” será inversamente proporcional ao nível de saturação com que o espectador se encontra de filmes terroristas centrados na guerra do Iraque. Uma afirmação que à partida pode ser polémica, como se uma temática como esta se esgotasse facilmente no espaço e nas possibilidades que o cinema tem para oferecer, mas com fácil explicação. A verdade é que esta incursão de Ridley Scott pelo thriller de guerra político peca por testar uma abordagem pouco original, igual a tantas outras, filmando a guerra e os seus intervenientes como um mero estudioso do assunto.

É precisamente esse o grande problema do filme. Se não podemos acusar o argumento de William Monahan (baseado na obra do colunista do Washington Post David Ignatius) de falta de coerência narrativa, podemos no entanto alertar para o facto de trazer poucas novidades à mesa, contribuindo para um filme insípido. Para a posterioridade fica apenas uma ou outra citação engraçada e um ou outro momento de grande tensão – normalmente envolvendo uma explosão ou tiroteio prestes a acontecer. Sabe a pouco, tendo em conta os créditos envolvidos. Só Ridley Scott é responsável por pelo menos um par de obras-primas num passado infelizmente cada vez mais distante.

E não vale a pena culpar os actores… Leonardo DiCaprio e Russell Crowe estão bastante bem nos respectivos papéis, secundados de forma competente pelos desconhecidos Mark Strong e Golfisheti Farahani.

DiCaprio afasta-se cada vez mais da imagem de galã superficial com que a imprensa o quis rotular em tempos e tornou-se já num dos actores mais respeitados da sua geração (à imagem do que aconteceu ao Brad Pitt dos anos 90… ou do devia ter acontecido, pelo menos) e Crowe surpreende, primeiro por aparecer mais envelhecido e flácido, depois por pegar num registo cómico apreciável.

“Body of Lies” não é um filme mau. Sentir-me-ia culpado em chamar-lhe isso. É feito com alguma eficácia e boa gestão de meios e talentos. Mas é apenas um filme igual a outros, um filme que peca por nunca nos dar um soco no estômago, consequência da falta de arrojo narrativo. É pena.

Nota: 5/10

André Gonçalves

Últimas