
Num futuro próximo, numa era pós-industrial, Terminal Island serve como cenário de um dos mais brutais e violentos eventos desportivos: a Corrida Mortal, transmitida online para uma audiência sedenta por sangue. Mas esta ilha é também o local onde estão presos os criminosos mais perigosos, sendo alguns deles os condutores dos carros modificados para esta corrida.
Jensen Ames (Jason Statham) é um desses prisioneiros, injustamente julgado pela morte da mulher, obrigado a deixar a filha ser entregue a um casal adoptivo. Tri-campeão de corridas de automóveis, Jensen vê-se envolvido nesta prova, para substituir Frankenstein, um prisioneiro mascarado que não sobreviveu à ultima corrida.
Hennessey (Joan Allen) directora da prisão, chantageia Jensen para esta substituição em segredo, pois o defunto mascarado era o favorito da audiência, tendo já ganho quatro corridas. Pelas regras, após cinco corridas ganhas o vencedor tem direito à liberdade. Mas rapidamente Jensen descobre que lhe armaram uma cilada e que a corrida está de tal modo controlada que é impossível a quem quer que seja sair dali vivo.
Paul W. S. Anderson regressa à realização depois de “Alien VS Predator” e oferece-nos um filme cheio de pura adrenalina com o herói interpretado por Statham, que tem vindo a crescer como actor do género acção/thriller, com títulos mais ou menos bem conseguidos como a saga “Transporter” e “The Bank Job”.
“Death Race” oferece ao espectador aquilo que promete desde o início e entretém o suficiente para não aborrecer os fãs de filmes de acção. Todos os requisitos estão lá mas algumas coisas parecem falhar. Uma delas foi a campanha de marketing. O filme não oferece novidade quanto à sua previsibilidade, mas quem viu o trailer vai entrar na sala de cinema com os twists resolvidos; basicamente o clip promocional conta toda a história do filme, excepto o desenlace.
Quanto ao ambiente, o realizador está no seu campo: a montagem é acelerada mas perceptível, a fotografia em tom frio e a banda sonora está pejada de temas rock/hip hop. Algumas sequências do filme são realmente apresentadas como um programa de televisão, mas as corridas assemelham-se mais a um videojogo, os carros modificados passam por cima de símbolos no chão que activam armas e escudos de protecção contra os restantes concorrentes; caso para dizer que aquilo que falta ao espectador é um comando.
Os pontos negativos de “Death Race” estão sobretudo na previsibilidade, no fraco argumento e na escolha de Joan Allen para vilã. Não que desgoste da actriz, muito pelo contrário, foi um prazer ver o seu desempenho em “The Bourne Ultimatum” (2007) ou “The Notebook” (2004), mas a personagem que encarna é pouco verosímil, soa estranha e outras escolhas teriam encaixado melhor.
Tyrese Gibson (“Transformers”) é um secundário forte como oponente e Ian McShane (“Deadwood”) é competente embora falhe nas tentativas cómicas.
O final do filme é outro dos pontos fracos, demasiado rápido, deixa o espectador insatisfeito.
“Death Race” é um filme a não perder para os amantes de carros, corridas e adrenalina; o resto do público talvez queira passar ao lado.
5/10
Carlos Lopes

