“Righteous Kill” por Carlos Lopes

(Fotos: Divulgação)

 

Ao entrar na sala a expectativa é bastante grande. Depois de “The Godfather: Part II” e “Heat” esta é mais uma oportunidade para ver de novo juntos dois grandes talentos da representação. Mas uma oportunidade que acaba por se revelar insípida.

Num mundo em que a justiça tende a falhar no julgamento dos criminosos, um serial killer surge com “boas intenções”: assassinar os criminosos que a lei não coloca atrás das grades (alguém se lembra de “Dexter”?).
Este é sem dúvida um tema actual em que o argumento coloca os dedos na ferida dos casos bicudos que envolvem as várias faces do crime, da religião à máfia. Mas o que podia ser um thriller/policial com traços dramáticos interessantes, derrapa mais uma vez para terreno conhecido e previsível.

O argumento de Russell Gewirtz pode ser actual mas não dá o braço a torcer para um desenlace interessante; em vez disso o espectador é presenteado com 101 minutos de película cujo terceiro acto corresponde ao óbvio e com soluções que parecem retiradas de outros filmes.

 
A tarefa de escrever sobre “Righteous Kill” sem revelar nada do seu contexto é difícil, no entanto existem alguns aspectos que o próprio trailer desvenda; A dualidade clássica do bom polícia/mau polícia parece quase evidente desde o início, apontando para Al Pacino e Robert De Niro respectivamente. E eles estão bastante fortes nos seus papéis. Os secundários não lhes ficam atrás. Carla Gugino e até Curtis “50 Cent” Jackson estão à altura do que lhes coube desempenhar. Mas nenhuma das interpretações aguenta o resultado lamentável.

A apontar está definitivamente o fraco argumento. A ideia inicial é inovadora mas o caminho que segue desaponta. O final não justifica todo o tempo despendido anteriormente. Custa a acreditar que estamos a falar do mesmo argumentista de “Inside Man”, um filme muito mais bem sucedido em todos os aspectos. Ao mesmo tempo, custa a acreditar que Hollywood juntou dois gigantes do cinema para este resultado.

Durante o primeiro e segundo actos, o filme é interrompido pela narração e testemunho de Robert De Niro como o serial killer, que vai narrando a forma como a história evolui até o rasto chegar a ele. Ao entrar no terceiro acto, já o espectador se apercebeu de que nada é o que parece mas ainda espera um bom desfecho. Este acaba por se desvendar previsível e, em última análise, ridículo.

O que chama a atenção para este policial? Sem dúvida as cabeças de cartaz. Mas talvez valha a pena passar adiante.

4/10

Carlos Lopes

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