
Muita acção, humor e espionagem recheada de alta tecnologia.
Os pontos fortes de Body of Lies são claramente as cenas de acção, dinâmicas e impactantes e o trabalho dos actores.
Leonardo DiCaprio e Russel Crowe são dois pólos opostos numa operação de luta contra o terrorismo dos serviços secretos norte-americanos. Um está integrado no terreno (o cenário de guerra do médio oriente até à exaustão), enquanto o outro opera à distância, sem nunca “sujar” as mãos.
Não se pode confiar na CIA, e de acordo com o filme, confiança não se pode ter mesmo em ninguém, pois a traição é uma constante, mesmo entre colegas.
Crowe representa um agente da CIA, cínico e distante, que acaba por passar maior parte das cenas a falar para um telemóvel ou para um computador. Ao mesmo tempo, está apenas de corpo presente enquanto acompanha os filhos à escola ou até aos jogos de futebol.
Di Caprio é um americano adaptado à cultura do médio oriente, conhece profundamente a língua e os costumes e tenta agir da forma mais ética possivel, o que nem sempre tem muitos resultados práticos. O actor está cada vez mais maduro, e consegue aqui uma representação poderosa e bastante credível na pele de um agente secreto com consciência moral.
Há ainda um terceiro actor a merecer destaque em Body of Lies, Mark Strong, que representa o chefe da Inteligência da Jordânia, um perfeito cavalheiro, tão charmoso e gentil como capaz das maiores atrocidades, e sempre impecavelmente vestido.
O argumento de William Monahan (The Departed) baseado num romance de David Ignatius, é o ponto fraco do filme. Apesar da acção ser suficiente para manter o espectador sempre atento, o enredo acaba por não ser nunca surpreendente e não nos mostra nada que não soubéssemos sobre a conduta dos serviços secretos.
Ridley Scott prossegue a parceria com Russel Crowe, que participou em todos os filmes do realizador desde A Good Year, e que está também ligado ao projecto sobre o Sherife de Nothingham.
Manter a normalidade no mundo ocidental à custa do que for preciso, com quantas mortes inocentes sejam necessárias no distante mundo que são os países orientais, é o fio condutor de uma narrativa cujo aspecto mais moderno acaba por ser a integração de dispositivos tecnológicos até ao limite. Body of Lies é uma obra competente e cativante mas debaixo de tanto espectáculo visual sabia bem que houvesse uma maior consistência.

