Jerry (Shia LaBeouf) e Rachel (Michelle Monaghan) são dois cidadãos norte-americanos que, de repente, se vêem envolvidos numa trama, após receberem uma misteriosa chamada telefónica.
Jerry enfrenta a perda do irmão gémeo num acidente de viação e Rachel, é uma mãe divorciada que vive sozinha com o filho Sam. Os protagonistas vêm as suas vidas ameaçadas pela voz na chamada misteriosa que parece controlar todo o material tecnológico que os rodeia. Mais à frente, descobrem que ambos são apenas peões num jogo de grandes proporções.
D. J. Caruzo volta à realização depois de “Disturbia” (2007), de novo com Shia LeBeouf no papel principal. Mais uma vez, o actor mostra a competência perante a sétima arte e como é um actor promissor. Michelle Monaghan encontra aqui a oportunidade de se expandir para o grande público depois de papéis bastante secundários em filmes como “The Bourne Supremacy” (2004) e “Mr. and Mr.s Smith” (2005).
“Eagle Eye” peca pelo argumento pouco original; um thriller bastante acelerado cujo enredo se desenvolve para um desfecho previsível. A premissa bem oferecida do início do filme vai perdendo intensidade. A meio, descobre-se a pólvora que desemboca exactamente onde muitos outros filmes já haviam terminado. “Eagle Eye” bebe conteúdo já conhecido a obras como “Matrix” (1999) e “I, Robot” (2004) que foram bastante mais bem sucedidos nessa abordagem.
Evitando revelar demasiado da história, somos presenteados com situações que se revelam ridículas e outras que integram pormenores, em última análise, bastante exagerados.
Toda a intriga e carga dramática confiada aos personagens no início acaba por perder intensidade, até um ponto em que o espectador já não presta atenção a esse aspecto do filme.
Os actores estão à altura dos seus papéis, mesmo os secundários Billy Bob Thorton e Rosário Dawson, percebendo-se que a sua escolha não foi ao acaso. Caruzo mostra-se um realizador eficaz em praticamente todos os aspectos, mas um pouco decepcionante nas cenas de acção. Por vezes é difícil situar o que se passa no ecrã e noutras gera-se mesmo algum aborrecimento (Paul Greengrass é muito mais bem sucedido na sua utilização de câmara tremida). A fotografia e a banda sonora cumprem igualmente o seu dever sem grande ostentação.
No final, sente-se que tudo foi levado a um certo extremo que faz revirar os olhos. “Eagle Eye” é um filme de entretenimento, mas que talvez valha a pena deixar passar ao lado se não tiver muito interesse neste género.
4/10
Carlos Lopes

