
Dos criadores de “Legalmente Loura”, chega-nos mais uma comédia acerca das loiras e do seu combate contra as adversidades.
Shelley Darlingson é uma coelhinha da Playboy que tem a infelicidade de ser posta fora da mansão no seu 27º aniversário. Sem ninguém, acaba por “aterrar” num campus universitário onde vai conhecer Natalie, uma estudante que reside na república menos “in” do campus e que está prestes a perder a casa, caso não arranje mais 30 estudantes para ela. Shelley decide então ajudar Natalie e as suas amigas a tornarem-se populares de forma a atraírem potenciais residentes.
Anna Faris regressa aos cinemas nacionais para representar o papel pela qual todos a conhecem ou seja, a Americana de bom coração mas pouco dada a intelectualidades.
Tendo uma estrutura clássica (para este tipo de comédias), o filme é mais do mesmo, com personagens vistas e re-vistas, um argumento anoréctico e uma banda sonora composta por temas bem rodados na rádio. Como sempre, há duas ou três piadas que funcionam e acabamos por ficar com a sensação de termos sido entretidos durante 90 minutos. Apesar de tudo, é claro que Anna Faris está à vontade no seu papel e demonstra uma energia impar para a comédia burlesca. Contudo, o argumento centra-se demasiado nela o que faz com que a sua presença no ecrã seja uma constante e não permite ao resto do elenco desenvolver minimamente as suas personagens. E é talvez aí que o filme patina mais do que os outros.
Não nos podemos identificar com as outras personagens porque, apesar de todas terem uma característica particular, o filme somente o usa para um gag ou outro. Não há verdadeiro conflito entre “o que somos” e “como eles nos vêem”. A cena do bar ainda tenta dar relevo ao grupo de raparigas, quando Shelley as manda uma a uma (enfim, só manda duas…) seduzir alguns rapazes que por lá andam (dando lugar a uma das cenas mais engraçadas de todo o filme). O resto do casting é meramente figurativo e nem a personagem de Colin Hank (o suposto interesse amoroso de Shelley) tem qualquer relevo, ficando-se pelo figurante de luxo (isto é, para os amantes da série “Roswell”).
Tecnicamente, o filme é igual as outras comédias do género, encaixando cenas umas atrás das outras. Último ponto de realce, as cenas no interior da Playboy Mansion e a participação de Hugh Hefner, “boss” das coelhinhas.
Em conclusão, o filme é uma comédia menor semelhante à dezenas de outras que tem talvez a vantagem de ser mais equilibrada e de não sofrer tanto com quebras de ritmo à meio caminho. Anna Faris carrega o filme nos ombros e mantém-se o verdadeiro ponto de interesse do filme. Para ver entre amigos num dia em que não apetece pensar muito.
4/10
André Reis

