Festa do Cinema Italiano: «Romanzo di una strage», por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)
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No final dos anos 60 a Itália vive a ressaca do boom económico do pós-guerra, com o início de uma crise social marcada por instabilidade política. Por esta altura, atentados bombistas reivindicados por direita ou por esquerda, cujas ideologias ainda estavam bem vivas, formavam um pano de fundo escaldante numa sociedade dominada por greves e manifestações. Mas um dia destes foi particularmente trágico – quando uma bomba explodiu na sede do Banco Agrícola, em Milão, na praça Fontana, matando 14 pessoas e deixando dezenas de feridos. 

Para reconstruir esse episódio marcante dos chamados “anos de chumbo” do seu país, o realizador Marco Tulio Giordana (de “A Melhor Juventude”) mergulhou nos labirintos do poder instituído (sedes da polícia, gabinetes governamentais, salas de tribunais) e nas catacumbas dos movimentos extremistas (anarquistas e neofascistas) para compor um filme político na velha e boa tradição de Costa-Gavras.

Como todos os resgates a injustiças históricas, esta “novela de um massacre” tem um conteúdo que fala por si, abordando temas polémicas no seu país – como os assassinatos das personagens que retrata e não imiscuindo-se de incluir a complexa figura de Aldo Moro, ele própria uma das vítimas dos sinistros jogos de poder dos bastidores italianos. Em termos cinematográficos, segue a cartilha tradicional dos thrillers políticos. Eficiente, bem dirigido e interpretado, só peca por um estilo um tanto pesado e por excessos de personagens e lugares – que por vezes tornam a sua história demasiado obtusa.

O Melhor: um thriller político que funciona bem como um resgate de injustiças históricas 
O Pior: com um estilo por vezes pouco fluído e com excesso de locais e personagens não muito bem esclarecidas
 
 
 Roni Nunes
 

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