Monstra 2013:«Selkirk, the real Robinson Crusoe», por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Robinson Crusoe é uma história bem conhecida. Escrita por Daniel Defoe, a história não foi, no entanto, completamente inventada, antes, baseada nas aventuras de Alexander Selkirk no início do século XVIII. Se o título deste filme parece indicar que é a história de Selkirk que vai ser contada, uma simples pesquisa pela internet mostra que não é assim. Apesar dos vários livros da altura e também recentes sobre o navegador, este filme é mais uma história baseada na sua vida, do que a “verdadeira” história. O que é uma pena porque o que é uma decisão do próprio Selkirk ao avaliar que o barco em que navegava não iria aguentar muito mais (e tinha razão) é aqui transformado numa decisão da equipa, fartos que estavam dele e da sua sorte ao jogo. Se bem que é possível discutir a decisão dos realizadores em transformar assim a história, o mais infeliz é mesmo ver que o resultado é bastante medíocre: em vez de uma história de sobrevivência e resistência humana, temos uma historinha de crescimento pessoal, com algumas piadas pelo meio.

A animação é boa, mas perde com a inevitável comparação ao “The Pirates! Band of Misfits” do ano passado, apresentado pelos veteranos Aardman e onde as piadas marítimas e históricas são melhor conseguidas. Até no erro crasso de fazer referências para os pais, aborrecidos por terem de levar as crianças ao cinema, cai. A primeira longa de um realizador que já fez várias curtas, é um passo em falso.

Para os interessados na verdadeira história de Selkirk há o artigo da Wikipedia, um artigo do Smithsonian ou outro a reportar a descoberta de indícios arqueológicos da sua vida na ilha . Qualquer um deles mais interessante do que o filme.

O Melhor: A animação.
O Pior: O transformar uma história numa historinha.
 
 
 João Miranda
 

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