Monstra 2013: «A Letter to Momo», por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Doze anos depois ter ganho três prémios com “Jin-Roh” no Fantasporto, Hiroyuki Okiura aparece de novo nos festivais com “A Letter to Momo”. A história de uma rapariga com onze anos, Momo, que se muda com a sua mãe para uma pequena ilha remota depois da morte do seu pai num acidente. Para além da culpa que sente por causa da sua última conversa com o pai, da mudança drástica entre Tóquio e esta pequena ilha, Momo tem também de lidar com o aparecimento de um grupo de demónios insaciáveis que estão constantemente a roubar as quintas vizinhas e que se refugiam no sótão da sua nova casa.

Se as comparações com Hayao Miyazaki (nomeadamente “A Viagem de Chihiro” e “Princesa Mononoke”) são inevitáveis, por outro lado Hiroyuki Okiura consegue definir um estilo muito próprio, tanto a nível de animação, como a nível do tom utilizado, criando uma história que, apesar de incluir elementos fantásticos, está muito bem fundamentada na realidade. Estas comparações parecem vir mais da utilização de elementos xintoístas, com espíritos e divindades animistas, do meio comum (cinema de animação tipo anime) e do facto de haver uma personagem principal feminina, do que do estilo de história contado.

Por vezes há a ideia que os filmes de animação são só para crianças ou só para adultos, “A Letter to Momo” é um daqueles que consegue ultrapassar essa barreira e falar de temas complexos como o crescer, o lidar com mudanças e o luto sem nunca os tentar reduzir enquanto os mantém acessíveis a todos, misturando ingenuidade e experiência sem cair em infantilidade ou desilusão. Esperemos que não tenhamos de aguardar mais uma dezena de anos para o próximo filme de Hiroyuki Okiura.

O Melhor: A animação, os temas complexos tratados de forma acessível, mas não redutora.
O Pior: Há clichés (como o relógio avariado) que podem levar os mais “jaded” a desinteressar-se.
 
 
 João Miranda
 

Últimas