Monstra 2013: «From Up on Poppy Hill», por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Os estúdios Ghibli, à semelhança da Pixar para o cinema Ocidental, têm-nos habituado a um nível de excelência em todos os filmes que fazem. Isto deve-se em parte ao trabalho de Hayao Miyazaki e de Isao Takahata (de quem pudemos ver neste festival o excelente “Grave of the Fireflies”). “From Up on Poppy Hill” é o segundo filme do filho de Hayao, Goro. Depois do medíocre “Tales from Earthsea”, baseado no mundo fantástico criado por Ursula LeGuin, Goro Miyazaki apresenta-nos agora um filme que prescinde da fantasia e da magia e que conta a história de um grupo de alunos que faz tudo por salvar um edifício onde se juntam os vários clubes dos alunos (arqueologia, filosofia, jornalismo, …), ameaçado de destruição pelo director da escola. Longe dos filmes do seu pai, este acaba por aproximar-se mais aos filmes de Takahata.

Se a animação é perfeita, por outro lado falta-lhe alguma da criatividade que se pode ver em “A Letter to Momo”, também em exibição neste festival. A história em si é, usando as palavras de uma das personagens do filme: “como um melodrama barato”. O óbvio casal que está destinado a juntar-se descobre que são irmãos e, depois de alguns momentos constrangedores em que juram o seu amor eterno mesmo sabendo-o, lá se descobre que afinal não são, o que já se tinha percebido no próprio momento em que se descobre que são, não havendo assim grande surpresa. O que também não é grande surpresa é que é obvio o destino do edifício que tentam salvar. O que quer dizer que é difícil estragar o filme, mesmo contado a história toda. Na realidade, a história parece um daqueles folhetins românticos que se vendiam para adolescentes suspirarem e acreditarem na fantasia do romance e dos finais felizes. Prefiro, ainda assim, os filmes do Miyazaki pai, cheios de magia, mas que nos ensinam coisas mais importantes e úteis.

O Melhor: A animação.
O Pior: O “melodrama barato”.
 
 
 João Miranda
 

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