Monstra 2013: «Crulic: The Path to Beyond» (Crulic O Caminho Para o Além) por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Crulic está morto. Esta é a primeira coisa que nos é dita no início deste filme. Esta é a história de Crulic, nascido na Roménia e que foi morrer na Polónia. É também a história de emigrantes, de erros judiciais, de máquinas burocráticas ineficientes e de erros humanos que, todos juntos, levaram a um incidente diplomático, à demissão de um ministro e à morte de Crulic.

Se as perguntas levantadas e se o trabalho de pesquisa é exemplar, o mesmo não se pode dizer da animação: são tantos os estilos usados e de forma tão aleatória, que este parece ser um filme académico, produto da vontade de mostrar a um qualquer docente que o discípulo domina as várias técnicas, mesmo que estas não sejam usadas de forma coerente. Temos fotomontagens, vídeo, 3D, desenhos, aguarelas e mais, tudo usado de forma indiscriminada e não enfática. O que poderia ser usado para sublinhar e reforçar certas ideias mistura-se e não serve a história.

No dia a seguir a tê-lo visto, na fila para entrar para outra sessão, uma rapariga nova comentava com o seu amigo que tinha visto um filme “muito giro”, com desenhos “muita loucos”, mas sobre a história, nada. A história tinha-se perdido. Crulic é uma história importante que, neste caso, teria sido melhor servida com algo menos excêntrico, acabando escondida pelo próprio meio.

O Melhor: A pesquisa e o cuidado investido na história.
O Pior: O abuso de estilos de forma aleatória e incoerente que acabam por obscurecer a história.
 
 
 João Miranda
 

Últimas