Este filme esteve nomeado aos Oscars da categoria no ano passado ao lado de coloridos e barulhentos blockbusters como “Rango” (o vencedor), “Panda Kung Fu 2” e “O Gato das Botas”. Isto é relevante no sentido de salientar que esta produção francesa realizada por Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol trafega numa via completamente diferente.
O gato Dino circula entre dois mundos. Num deles, o noturno, acompanha o solitário e eficiente ladrão Nico, que perambula pelos telhados de Paris com a agilidade e o silêncio de um felino. Quando ele volta para casa, no entanto, a única companhia que lhe resta é a do animal – pelo menos até um pouco antes de amanhecer. Então chega a hora do gato partir, certificando-se de ter uma pequena prenda (normalmente uma lagartixa morta) para dar à menina Zoe, triste e marcada por uma tragédia recente que lhe deixou “muda”, com quem passa o dia.
Entre esses dois mundos de duas pessoas solitárias e incomunicáveis movimentam-se figuras e problemas bem mais mundanos – a mãe de Zoe, Jeanne, inspetora que anda a caça do gângster Victor Costa e que, por sua vez, está a planear um crime com um grupo de ajudantes trapalhões. Num dado momento, todas essas histórias vão se cruzar de uma maneira muito engenhosa.
O melhor deste filme é movimentar-se plácida e silenciosamente como as pisadas do gato Dino entre os mundos distantes das suas personagens delicadas e tristes criando, através dos seus traços retorcidos e suas tonalidades de azul, um ambiente calmo e poético – como nas belas cenas noturnas em que o ladrão e o gato movimentam-se pelos telhados – com jazz ao fundo. Apesar disto, é também um filme movimentado, repleto de perseguições e viragens no enredo, todas igualmente bem construídas e verossímeis, a provar, mais uma vez, que o espetáculo é desnecessário quando se usa de inteligência e sensibilidade para se criar entretenimento com poesia.
O Melhor: inteligência, sensibilidade, poesia
O Pior: algumas situações menos coerentes na resolução da história
| Roni Nunes |

