Filme polaco alucinado, que utiliza o surrealismo como elemento adicional a uma violenta sátira social. Essa não deixa nenhum alicerce da sociedade do seu país em pé: há o circo dos media, a vigarice dos políticos, a situação económica da Polónia, os trogloditas dos skinheads e as misérias do mundo académico.
E tudo porque um cientista desencantado (e completamente chanfrado) decide construir uma obra para a posteridade: um clone. O problema é que, depois de anos de pesquisa, o seu computador indica que a melhor criatura para ser copiada é um… ouriço! E aí entra em cena o inocente George que, apesar de ser de facto um ouriço, faz um enorme sucesso com as damas (com formas bem humanas…) – particularmente com a sua amada Jola, que trai com ele o seu marido nerd. Para conseguir amostras do seu DNA, entram em cena dois skinheads trapalhões – mas que por fim acabam por ser bem-sucedidos. Gera-se uma versão sexualmente tarada e alucinadamente selvagem do original – rendendo diversos e hilários momentos de enorme grosseria. Características que, aliás, não impedem o clone de tornar-se uma grande estrela…
Ao contrário do que muitas vezes acontece em comédias com um grande fundo de nonsense, “George The Hedgehog” nunca perde o fio da meada e a história segue “coerente” dentro do objetivo pretendido. De resto, é só rir com esse projeto de demolição total e repleto de piadas muito divertidas – onde nem o famigerado catolicismo polaco é poupado.
Entre elas, destaque para a inscrição na t-shirt de um dos skinheads – onde se lê “uber alles” – famoso emblema dos nazis, o mais implacável dos inimigos históricos do país; noutra o cientista maluco vende cerveja num bairro de lata com acréscimo no preço – para “investir na política científica da Polónia” – e ainda há outra da “namorada do ouriço”, que disse que não pode pedir o divórcio para ficar com ele porque é “católica”.
O Melhor: é divertida, sarcástica e inteligente
O Pior: nada de relevante
| Roni Nunes |

