Elvis e Leo são dois peritos em limpezas forenses. Num trabalho numa cabine remota, onde um homem foi encontrado morto violentamente, eles descobrem uma mulher chamada Thale – que lá vivia encerrada. Ela não sabe falar e há algo de estranho. Depressa eles percebem que ela pode se tratar de uma Huldra, uma mulher mitológica com uma cauda que seduz e mata homens, e que os seus semelhantes a esperam na floresta.
Uma apreciação de “Thale” é complicada. Por um lado, é verdade que é um filme com um ritmo muito mal gerido e que demora muito a dar forma às suas ideias. E é um filme que se ressente terrivelmente de um micro-orçamento (basicamente temos 3 atores e 1 cenário, na realidade, a cave do pai do realizador), com o realizador Aleksander Nordaas a assumir inúmeros cargos técnicos. O filme foi rodado entre 2009 e 2011, um período de tempo longuíssimo até para uma produção de carácter não profissional.
Isto faz com que a fita tenha muitas limitações a nível visual – a sua fotografia é pobre e unidimensional (excetuando os momentos finais) e os seus cenários parecem frequentemente um improviso de cenografia.
No entanto não podemos remover o mérito que “Thale” tem pelos seus escassos recursos, mesmo que o filme não tenha conseguido adaptar-se a eles. E é um filme muito climático e com um ambiente bem conseguido e aborda de forma original e curiosa o que seria um mito de abordagem muito óbvia. Nisto procura o lado poético de uma sereia mortífera privada do seu habitat natural e, ao mesmo tempo, faz-nos descobrir de forma misteriosa como as personagens principais (o homem e os dois peritos) podem estar ou não a agir por sua influência mística.
Silje Reinåmo dá a “Thale” uma musa com os níveis certos de mito e humanismo, mas não é acompanhada por um elenco masculino interessante.
No final, ficamos com a sensação que “Thale” fica aquém do seu potencial. Mesmo com poucos recursos, a sua história obrigava a uma execução bem mais apurada.
O melhor: O lado animal das Huldras e a sua beleza poética no final.
O pior: A fotografia e o ritmo do filme são muito contraproducentes para a história.
| José Pedro Lopes |

