«Verdades Verdaderas» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Uma das vertentes da perversidade das ditaduras latino-americanas, especialmente as da Argentina e do Chile, foi o roubo de bebés. Estes eram tirados das mães grávidas que estavam presas pelo regime e depois desapareciam sem que a família voltasse a saber do seu destino. De acordo com as estatísticas, existem pelo menos 500 casos desta natureza na Argentina, tendo 105 deles, até o lançamento deste filme, identificados e notificados. 

“Verdades Verdaderas” é baseado numa história real, a de Estela de Carlotto, que uniu-se a um grupo de avós criando um movimento semelhante às Mães de Maio (referência à praça onde se reuniam, em Buenos Aires), as avós de Maio. O objetivo era conseguir identificar o neto arrancado de sua filha quando esta estava presa.

 Esta temática forte e de grande valor social não teve, infelizmente, o melhor tratamento cinematográfico. Reunindo pequenos acontecimentos que vão burocraticamente se enfileirando ano após ano, o filme é um dramalhão de telenovela que parece feito de pontas soltas que nunca constituem um enredo a sério. A protagonista, Susú Pecoraro, uma atriz experiente e que já recebeu muitos prémios na carreira, tem aqui uma interpretação sofrível, muito por obra do realizador Nicolas Gil Lavedra, que conduz mal todo o elenco. 

O final documental, já durante os créditos, é forte o suficiente para demonstrar que se estava a lidar com um tema de primeira linha, o que ainda aumenta a frustração por se assistir um filme tão mau.

 

O Melhor: o tema e os créditos finais, cujo valor documental demonstra a força da história
O Pior: o tratamento de telenovela com um enredo mal construído

 

 
 Roni Nunes

 

 

 

Últimas