O Dia 1 de Maio serve para os meios de comunicação e os discursos oficiais lembrarem os cubanos de todas as benesses que o socialismo e a revolução trouxeram ao país – entre as quais a igualdade e a dignidade dos operários.
Ao invés de fazer uma crítica colérica e ideológica a este sistema, que no fundo tem as suas mazelas e falsidades ideológicas como qualquer outro, o realizador Ian Padrón optou por mostrar o absurdo destes paradigmas, apresentados nos primeiros de minutos de “Habanastation”, de outra forma. Utilizando-se de recursos narrativos simples, desconstrói o discurso oficial através da trajetória de um menino rico e superprotegido que, inadvertidamente, vai parar num bairro degradado.
Enquanto documenta o fim da inocência infantil e a descoberta da amizade, da violência, da miséria, do amor ou da simples diversão, Padrón constrói um retrato ao mesmo tempo realista e delicado da vida dos pobres de Havana. O resultado é um filme poético e extremamente divertido. Em alguns momentos beira o sentimentalismo e as soluções fáceis, mas no todo equilibra com eficácia o seu caráter realista com o de descoberta individual.
O Melhor: o estilo da crítica social; os momentos cómicos
O Pior: sentimentalismo, soluções fáceis e alguns momentos inverosímeis
| Roni Nunes |

