A legitimidade do estado de Israel sempre foi discutida e a sua política expansionista de ocupação é algo que move pessoas internacionalmente, mas que, mesmo após várias diretivas das Nações Unidas, não tem sido alterada, com incursões militares e respostas violentas dos próprios colonos. Se até dentro de Israel há dissidência sobre esta política, do lado dos territórios ocupados tenta-se combatê-la, por vezes de forma mais violenta, mas por vezes usando técnicas de não-violência. A resposta israelita às duas formas é igual: agressão, terror e repressão.
Em “5 Broken Cameras”, Emad Burnat, que tinha comprado uma câmara para filmar o desenvolvimento do seu filho recém-nascido, vê-se no dever de filmar a luta de anos contra uma barreira erguida a meio dos campos de oliveiras. Se inicialmente o movimento é pequeno, com o tempo, como a criança, cresce e encontra novas formas de se expressar, apesar da repressão também crescente dos militares e dos colonos israelitas.
Este é um filme brutal, onde o desrespeito dos colonos e dos militares perante ordens legais do próprio sistema judicial de Israel são ignoradas e a não-violência é respondida com gás e tiros, com prisões de crianças e retaliações contra a própria terra e contra as oliveiras. Se alguém tem dúvida da brutalidade de Israel, este filme mostra-o de uma forma simples, filmado com seis câmaras familiares, sequencialmente destruídas em manifestações.
O Melhor: O paralelo do crescimento da criança com a luta.
O Pior: É pena não se perceber melhor o envolvimento de israelitas nos territórios ocupados, mas este pode ser visto até na co-realização de Guy Davidi, um judeu israelita.
| João Miranda |

