A Ilha da Reunião é um local que, pela sua localização, tem uma história em que várias etnias se unem e quase toda a população é mestiça (ou pelo menos contam a história desse modo). “L’Opéra du Bout du Monde” é, como o próprio nome indica, uma ópera que conta a história desta ilha que fica quase no fim do mundo, perdida no Oceano Índico. A ópera “Maraina” conta a história da fundação de Reunião e dos seus habitantes.
Para além da história da ópera, que nos vai sendo contada por várias das pessoas importantes da ilha, vemos também a forma como o espectáculo está a ser montado: os ensaios, os participantes, as histórias pessoais deles, os seus sonhos. Se se pode falar em cultura pós-colonial, esta ilha, apesar de ainda ser considerada território francês, é exemplar na forma como as diversas culturas, histórias e etnias interagem e se misturam, mantendo as suas identidades e ao mesmo tempo lutando pela preservação da ilha.
Mesmo que a ópera possa não agradar a toda a gente, a forma como se conseguem ver os vários elementos que lhe deram origem e as pessoas que trabalharam nela fazem com que o espectáculo ganhe dimensões que nos permitem apreciá-la melhor.
O Melhor: A mistura de influências e pessoas.
O Pior: A ópera em si poderá não ser do agrado de todos; havia um problema no som que não se percebia se era do filme ou provocado pelo sistema de som (no Doclisboa).
| João Miranda |

