Um dos países mais afetados pela crise económica e pela especulação dos mercados é a Grécia e até a sua Democracia se parece ressentir com isso. Preocupado em registar o processo eleitoral depois de Georgios Papandreou se ter demitido e admitido o verdadeiro montante da dívida grega, Marco Gastine propôs-se seguir quatro dos candidatos, representando não todos os que se apresentaram para votação, mas os quatro partidos mais importantes: os dois do governo que estavam a perder protagonismo e os dois da oposição que estavam a ganhar.
Com medo de sair à rua, depois de ataques físicos a alguns dos candidatos, a campanha é feita em apartamentos e pequenas instituições, com excepção do candidato de extrema-direita. Esta aproveita o ressentimento que existe contra os políticos e de uma forma populista usa-a para ganhar votos. Todos os discursos de qualquer um dos candidatos mostram a falência da oratória política, polvilhados de termos económicos, mas sem propostas reais, todos eles semelhantes entre si.
Se no filme se percebe o problema que é a ascensão da extrema-direita, na conversa que houve depois do filme o realizador avisou: há poucos anos a Grécia era um país calmo e pacífico, saído há poucas décadas de uma ditadura de extrema-direita, onde os movimentos destas ideologias políticas eram negligenciáveis e, em pouco tempo, se tornaram o segundo partido mais votado e andam a patrulhar as ruas, escolas, fábricas e mercados em acções que lembram a Alemanha nos anos 30. É um aviso ominoso para o futuro de Portugal.
O Melhor: O conseguir fazer um retrato dos perigos da democracia e mostrar a falência dos discursos políticos.
O Pior: Há uma certa brandura com a candidata da extrema-esquerda.
| João Miranda |

