Em 1996 foram introduzidas nos Estados Unidos uma série de leis que, retroativamente, alteravam o conceito legal de crime violento e autorizavam a deportação de qualquer pessoa que estivesse envolvida num crime que fosse reconhecido como tal. Isto fez com que muitos açorianos que foram para lá muito novos e que tenham passado uma vida mais turbulenta fossem enviados, independente do seu estado actual, de volta para os Açores. “Deportado” explora essa realidade, tentando documentar a realidade legal e social dos Estados Unidos, a vivência pessoal da deportação e os mecanismos de reintegração social nos Açores.
É um tema delicado e com várias matizes que, sendo impossível mostrar todas, Nathalie Mansoux, a realizadora, tenta explorar. Com toda a diversidade de casos, acaba por focar-se mais nas pessoas que estão nos centros de acolhimento e que por aí ficam, sem familiares nas ilhas e sem grandes perspectivas. Infelizmente, isto parece alinhar-se com a auto-vitimização de alguns dos intervenientes, o que se traduz num filme pessimista e que parece revelar um sistema que não funciona, mas será assim mesmo? Falta informação sobre a taxa de sucesso de integração ou mostrar casos de pessoas que foram deportadas e conseguiram encontrar trabalho ou pessoas que conseguiram, ainda nos Estados Unidos, lutar contra o sistema legal e ganhar. Qual a dimensão real das pessoas que vemos neste filme?
Sem minimizar o tema, as questões que se levantam ao ver este filme são tanto sobre as instituições apresentadas como sobre ele próprio.
O Melhor: Há momentos no filme, como a visita a uma casa em ruínas, muito eficazes.
O Pior: A escolha limitada e a falta de informação sobre a sua dimensão real.
| João Miranda |

