Antes de iniciar o filme, um dos realizadores avisou que, a pedido deles próprios, este não é legendado. Mau presságio. O mesmo aviso pode ler-se outra vez nos créditos, imediatamente antes de começar o stream de imagens. “Stream” porque, não fornecendo qualquer contexto para além do nome do filme, as imagens se vão seguindo umas às outras. Utilizando algumas técnicas narrativas, vai-se percebendo que uma cidade improvisada vai nascendo, onde se falam várias línguas, controlada pelo exército e pelos media e apoiada por organizações internacionais de ajuda e desenvolvimento. Gradualmente a vida se vai desenvolvendo nesta cidade habitada exclusivamente por homens novos, não se vê um velho, uma mulher ou uma criança, com o mercado negro a desenvolver-se na periferia e sem nunca se definir qual a razão para este ajuntamento de pessoas. As barreiras linguísticas são ultrapassadas usando as línguas de ex-colonizadores ou a moderna lingua franca: o inglês. Mas esta calma é interrompida quando se tenta ordenar o acesso a algo indefinido, onde as nacionalidades vêm ao de cima e de repente se organiza um protesto espontâneo. Depois desse protesto, as pessoas são enviadas para outros locais e a cidade é desfeita, ficando apenas o lixo que estas deixaram para trás.
A referência à Babilónia, onde se encontrava a famosa Babel, é óbvia. O que não é óbvio é a utilização de um acontecimento que não é explicado de uma forma que parece manipulada e manipuladora. Os filmes são como as piadas: se têm de ser explicadas, é porque não funcionam. “Babylon” é como uma piada que falha, não é que seja má, não é que não tenha momentos e ideias com interesse, é que parece parte de algo, incompleto.
O Melhor: O conceito.
O Pior: O querer aproveitar algo que se percebe ter outras conotações sócio-políticas de forma redutora, só para passar uma mensagem. É desonesto para com quem filma.
| João Miranda |

