doclisboa’12: «Cativeiro» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Há alguns anos “Tarnation” causou alguma agitação quando apresentado nalguns festivais de renome pelo seu carácter de exploração, efetuada na primeira pessoa. “Cativeiro” tem um bocado desse carácter também, mas, neste caso, a exploração é feita pelo realizador à avó, senhora de idade avançada e com óbvias dificuldades em movimentar-se e respirar. Há imensas dúvidas éticas que se levantam quando vemos este filme e possivelmente o mais perturbador é o facto do próprio realizador as levantar, mas não parecer agir sobre elas.

Este é um filme demasiado privado, a ponto de causar constrangimento, em que André Gil Mata filmou os últimos tempos da sua avó. O filme está cheio de planos que se arrastam, por vezes na pobre senhora, por vezes pela sua casa, mas que nos fazem questionar a intenção do realizador sobre o que este quer: não há aqui contornos de luto ou de terapia, há apenas uma passividade que nos é exposta. Talvez o “Cativeiro” seja o de quem vê o filme.

No final fica-se com a desilusão do realizador por não ter apanhado um sorriso à sua avó (mas até Freud se teria aborrecido com o filme) e a nossa de termos perdido mais de uma hora.


O Melhor: Há perguntas pertinentes que o realizador levanta (infelizmente não age sobre elas)
O Pior: O constrangimento constante, a sensação de não haver qualquer sentido para o que se vê.
 
 
 João Miranda
 

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