Abordagem demasiado morna de um dos assuntos mais palpitantes dos últimos anos: a bancarrota grega, que colocou em causa o próprio princípio fundador da Comunidade Europeia em particular e da economia capitalista em geral – para além de lançar o fantasma aterrador da falência sobre países como Portugal e Espanha.
Optando pelo registo do documentário direto, sem qualquer intervenção do realizador no desenrolar daquilo que mostra, “Demokratia” segue a vida de quatro candidatos gregos ao parlamento nas eleições de maio de 2012, simbolizando as mais variadas tendências: os dois partidos do centro (direita e “esquerda”), um de esquerda e outro de extrema-direita.
Há um pouco de tudo: discussões internas de campanha, comícios, debates, conversas com eleitores. Pairando como um fantasma sobre todo o processo, a crise e a bancarrota económica, com seus desempregados e o aumento de impostos, mais a descrença nos políticos e a incapacidade de apontar iniciativas. Contabilizando os seus acertos, o filme ainda consegue dar uma amostra do sentimento de medo e frustração que vai tomando conta da sociedade grega.
Por outro lado esse relato das eleições gregas é feito sem grande inventividade cinematográfica, ao mesmo tempo que condena-se irremediavelmente à superficialidade ao mostrar apenas aquilo que os políticos permitem que seja filmado – algo óbvio em se tratando de câmaras a operar sem percalços ou interrupções e com a plena consciência dos “atores” de que estão a ser “espionados”.
Talvez o filme ganhe mais qualquer coisa em termos de impacte para quem nunca acompanhou de perto um processo eletivo, mas no geral falha em retratar o frenesi que toma conta de todos durante uma verdadeira campanha eleitoral. No mais, se o povo grego é realmente tão pouco passivo como fazem crer as explosivas notícias dos telejornais portugueses, o realizador Marco Gastine captou aqui apenas uma pálida amostra.
O Melhor: Tem algum sucesso ao retratar o ambiente atual da sociedade grega
O Pior: Demasiado passivo a retratar um processo extremamente dinâmico como uma campanha eleitoral, ainda mais num momento de crise
| Roni Nunes |

