doclisboa’12: «Nuclear Nation» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

A 11 de março de 2011, em Fukushima, dois acidentes naturais vieram revelar a fragilidade das estruturas humanas, físicas e sociais, bem como reavivar o receio da energia nuclear. Foi o maior desastre nuclear depois de Chernobyl em 1986 e, como este, foi uma história muito mal contada pelos media, com manipulação dos diversos responsáveis e dos estados e sem se perceber bem a magnitude de ambos a não ser algum tempo depois. Para os interessados, a página em inglês da Wikipedia contém informação detalhada sobre o que aconteceu. “Nuclear Nation”, o filme de Atsushi Funahashi, tenta dar um visão sobre a comunidade de Futaba, a que fica mais perto da central, e sobre as várias formas como as pessoas lidaram com os desastres.

Se “The Radiant”, na Competição Internacional, tenta explorar o tema de forma mais emocional, “Nuclear Nation” tem o formato de um documentário formal, com entrevistas e uso de imagens de arquivo. O que não quer dizer que não seja emotivo, a magnitude do desastre e a sorte dos sobreviventes chega para nos fazer repensar a energia nuclear e agradecer a sorte de termos apenas um reator de pesquisa e não haver, ainda, planos de construção de centrais. Se a eficácia de um documentário se vê pelo esclarecimento e pelo que nos faz pensar sobre o tema apresentado, este é bastante eficaz e pode mesmo ser apresentado e discutido nos cinemas e nas escolas.

Com o foco nos refugiados, ainda falta apurar os responsáveis sobre o que se passou: em “The Radiant” referia-se que a TEPCO (a companhia que explora a central) começava a espalhar gravilha radioactiva pelas várias prefeituras do Japão para impedir que se pudessem efetuar testes de comparação com populações de controlo que pudessem servir de base a processos contra ela. Neste filme vê-se o mal que tanto o governo como a TEPCO se portaram para com as pessoas e percebe-se que interesses maiores são discutidos nos bastidores e que apenas algumas coisas chegam a público. Perante tal catástrofe, quem é responsável?

O Melhor: Esclarecedor e provocante.
O Pior: Falta perceber os motivos para a manipulação da informação e os responsáveis por tantos erros acumulados.
 
 
 João Miranda
 

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