doclisboa’12: «O Regresso» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Depois de apresentar “A Casa” no Indielisboa este ano, Júlio Alves apresenta agora na Competição Nacional do Doclisboa “O Regresso”. Depois da morte dos pais sem terem conseguido regressar à sua terra natal, onde tinham uma casa em que passavam férias todos os anos e planeavam passar a velhice, o realizador resolve regressar ele a essa casa e filmar a experiência. 

Este é um filme muito pessoal em que o realizador acaba por revelar-se tanto quanto explora a aldeia dos pais. Se a técnica não é problema, como já não o era em “A Casa”, a força e as falhas deste filme vêm desse carácter pessoal do tema. Se, como dizia André Gide, as coisas apenas valem pela importância que lhes damos, essa armadilha faz com que o tempo dedicado às pessoas da aldeia, com um carinho óbvio por parte do realizador, se tornem demasiado longas para quem não tem bases para lhes dar esse valor. O interesse ganho ao definir o propósito no início do filme vai-se dissipando no melaço do meio, onde os planos longos nostálgicos se tornam em planos demasiados longos para quem não partilha a nostalgia.

É um filme bonito e há momentos em que as conversas e os monólogos do realizador conseguem ser muito emotivos, mas que acaba por arrastar-se para quem está de fora da comunidade e da história da família.

O Melhor: A coragem de Júlio Alves em se expor assim.
O Pior: O meio acaba por arrastar-se um pouco, porque não valorizamos as pessoas e os locais da mesma forma que o realizador.
 
 
 João Miranda
 

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