Filmado na Tate Modern e na Tate Britain, “Seems so long ago, Nancy” debruça-se sobre o trabalho dos seguranças/assistentes nestes museus. Para isso, Tatiana Macedo, a realizadora, entrevistou e filmou durante três meses as várias pessoas que fazem este trabalho nestas instituições. Com o cuidado de não mostrar as obras de arte, o filme foca-se nas pessoas, nos tiques, na paciência (ou falta dela), no emotional labour que têm de efetuar para com o público.
Antes da sessão, a realizadora tentou explicar o processo e o contexto do filme. Cada vez mais se torna evidente que quanto mais fala o realizador antes do filme, mais se revela que está a tentar colmatar as lacunas que este tem. Se as entrevistas foram efetuadas, só se ouve de passagem, já nos créditos finais, um bocado que explica de onde vem o nome do filme. Assim, falta qualquer tipo de contexto que não seja laboral e se, como declarou a realizadora, o objectivo era que não olhássemos para estas pessoas como “uma massa”, o capturá-las apenas na aparência e negar-lhes uma vida pessoal, que poderia ser desenvolvido nas entrevistas, acaba por derrotá-lo.
Mais uma vez se percebe que se uma imagem vale mais do que mil palavras, acaba por não valer nada sem elas. Talvez um corte diferente, com a inclusão das entrevistas, abra este filme de uma forma imprevista, como está, é uma desilusão..
O Melhor: O conceito.
O Pior: A percepção óbvia da realizadora das falhas do filme e o persistir num formato que não serve o objectivo a que se propôs.
| João Miranda |

