Sobre a vida na China, muito do que nos chega pelos media são notícias do que corre mal e/ou problemas do Estado, muitas vezes com contornos ideológicos. “People’s Park” mostra como, numa tarde de Sábado, as pessoas de Chengdu, uma cidade com mais de 14 milhões de habitantes, se ocupam no Parque da cidade. Encontros com amigos, danças, karaoke, concertos, jogos, barcos a remos, tudo visto num único plano de 78 minutos.
A ambição do conceito era óbvia para os próprios realizadores, J. P. Sniadecki e Libbie D. Cohn, que conseguiram juntar mais de seis mil dólares a partir de uma plataforma online e que fizeram vinte e um takes em três semanas para chegarem ao resultado que agora vemos: enquanto Cohn se sentava numa cadeira de rodas e segurava na câmara, Sniadecki empurrava-a e segurava nos microfones. Empurrava-a pelo meio de milhares de pessoas, envolvidas nas mais diversas atividades, por vezes ignorando a câmara, outras interagindo com ela.
Pode ser argumentado que o ponto de vista usado é Ocidental ou que a falta de contexto faz com que o público tenha de recorrer a preconceitos culturais para preencher as lacunas, mas não se pode dizer que este é um filme aborrecido: a vida, as pessoas, as actividades, tanta coisa a acontecer e que desfilam perante os nossos olhos fornecem uma visão única de uma cultura que sempre fascinou o Ocidente e sempre envolta em mistério. Sniadecki e Cohn vêm da mesma linha de exploradores que Marco Polo e tantos outros, a tentar documentar com esse fascínio tudo o que se passa nesta tarde de Sábado na China.
O Melhor: o conceito, a imagem
O Pior: A falta de contextos.
| João Miranda |

