doclisboa’12: «Amanhecer a Andar» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Depois de na edição do ano passado termos podido ver um documentário sobre o Grande Hotel da Beira, uma construção megalómana em Moçambique que é agora casa para uma comunidade pobre, este ano podemos ver o quotidiano desta comunidade. Se em “Grande Hotel” o foco era sobre o edifício, aqui o foco é sobre as pessoas que nele habitam: os seus trabalhos, as suas ambições, a sua religião, as suas tristezas e alegrias, tudo o que constrói uma comunidade.

Evitando as entrevistas, Sílvia Firmino tenta documentar esta realidade pelas ações das pessoas, um desafio difícil que nem sempre resulta bem, sendo necessário um bom trabalho de edição e montagem para tentar encontrar momentos que mostrem tudo o que não é dito, mas “Amanhecer a Andar” consegue fazê-lo, sem julgamentos de valor e sem se ficar por uma visão pós-colonial, de forma honesta para com todos os que filma.

Talvez a grande crítica ao filme seja a falta de contextos sociais e económicos, para nos ajudar a compreender o que vemos, deixando-nos dependentes de alguns preconceitos do que é a realidade africana, ou o não explicar da grande estrutura ocupada por esta comunidade que tive a sorte de conhecer o ano passado. Ainda assim, o filme é coeso e vale por si próprio.


O Melhor: A honestidade para com as pessoas que filma.
O Pior: A falta de alguns contextos.
 
 
 João Miranda
 

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