13ª Festa do Cinema Francês: «Je me suis fait tout petit» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

História de um homem emocionalmente fragilizado pelo abandono da ex-mulher que tenta desesperadamente não criar laços afetivos com mais ninguém. Isto inclui as próprias filhas, entregues à irmã (a ex-mulher foi para a Tailândia) e cujo estado de autopiedade crónica vai ser questionado por uma inusitada “encomenda” – o filho que a ex-mulher teve com o novo marido e que também abandona em Paris antes de ir novamente para a Tailândia. Ao mesmo tempo que lida (mal) com o “novo filho”, vai desenvolvendo, ou tentando fugir a ela, uma relação com a pitoresca professora de arte Emanuelle (Vanessa Paradis). 

Filme de estreia da realizadora Cecília Rouaud, que vai dinamizando um inevitável processo de aproximação entre o frio e desagradável Yvan (Denis Ménochet) e o melancólico Léo (David Carvalho-Jorge), com diversos personagens e situações – todos com razoável profundidade. Conta também com um belo trabalho de Ménochet (que participou de “O Verão do Skylab”, de Julie Delpy), assim como do garoto David Carvalho-Jorge. 

O pior defeito da obra é que suas soluções passam por uma certa obrigatoriedade não espontânea que torna o final arrastado e não tão elíptico quanto desejável – para além de não conseguir afastar todos os excessos de sentimentalismo de telenovela que uma história assim acaba por demandar. Mas, no cômputo geral, é um filme divertido, com alguns bons momentos cómicos e outros tantos dramáticos. 

O melhor: os momentos cómicos e o trabalho de Denis Ménochet
O pior: a solução do filme, arrastada e sentimental
 
 
 Roni Nunes
 

Últimas