Queer Lisboa 2012: «O que arde cura» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Esta foi a tarde das desilusões no Queer. “O Que Arde Cura” trazia as melhores referências, e durante os primeiros minutos surpreende e tem-nos na mão, brincando com as nossas memórias mais primárias (Pacman, o início da programação da RTP1 num triste dia de 1988) até… Ouvirmos João Pedro Rodrigues num tom monocórdico a falar ao telefone como se estivesse a ler um teleponto (ou num casting de um qualquer filme português “de autor”) e com a mesma credibilidade de estar mesmo a falar com outra pessoa ao telefone, como eu dizer agora que estou a escrever esta crítica a partir do Bangladesh – tirando completamente este espectador fora do filme. Se é homem ou mulher, não interessa; eu cá aposto que é fantasma.
 
Se em termos técnicos o filme cumpre (apesar de ser irritante a referência a James Blake! Percebo que haja aqui ponte ao “hoje”, mas basta!), em termos mais substanciais (de ligar o incêndio do Chiado a uma ressurreição pessoal), infelizmente não colou. E é impossível não desejar que Guerra da Mata tivesse mesmo escolhido um ator mais… “Histriónica”, mesmo perdendo a cumplicidade entre os dois cineastas.  
 
Em complemento a esta sessão, passou também a curta-metragem “Parabéns!”, onde os papéis se encontravam invertidos: João Pedro Rodrigues na realização e Guerra da Mata como ator. E posso dizer que esta inversão funciona muito melhor, apesar de também não estar livre dos seus pecados…
 
 
 André Gonçalves
 

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