Audácia não faltou também a este “American Translation”, é certo. Ao cronicar uma paixão doente entre dois jovens, e uma psicopatia latente e irremediável do lado de um deles, o filme facilmente percorre caminhos sinuosos, movendo-se em terrenos muito longe da simpatia. De facto, sinto algum medo se alguém me disser que amou verdadeiramente este filme. Para me fazer perceber melhor: ao lado deste casal, a dupla Mickey e Mallory de “Assassinos Natos” é uma overdose de simpatia e carisma- e aí, eram dois loucos em vez de um louco e uma menina sem sal…
O que resta, se não temos um protagonista com o qual depositemos algum tipo de emoção (embora Pierre Perrier faça tudo ao ser alcance para pelo menos dar uma imagem tão sexy como assustadora à sua personagem)? Bem, não posso de facto negar que em termos técnicos, o filme foi feito por profissionais. A seleção musical é também ela irrepreensível. Mas, como costumo dizer, um filme não pode ser apenas a soma das suas partes técnicas. E a “American Translation” falta-lhe, muito simplesmente… uma alma, ou um mínimo ponto de reflexão, que não seja apenas um apanhado final de frases sobre “serial killers”
| André Gonçalves |

