Quatro mulheres, dois casais, um fim de semana numa zona campestre do norte de Berlim rodeada por um lago. Rosa é uma pescadora nesse mesmo lago. A sua namorada, Kirsten, uma arquiteta de sucesso, mora num “bungalow” à beira lago. Um dia, Rosa cruza-se com duas jovens berlinenses, dispostas a passar uns dias fora da cidade, e acabam por ser acolhidas pelo primeiro casal. Perante estas variáveis traçadas, o espectador pode traçar já vários cenários sórdidos. E a probabilidade da imaginação se cruzar com o que realmente se vai passando é muito alta.
O que mais frustra em filmes como este “Frauensee” é que têm tudo para triunfar à grande: subtileza, bela fotografia, e atuações competentes, vários pormenores curiosos quer a nível de realização, quer nos diálogos, e acima de tudo uma sinopse sumarenta. E no entanto, deixa-se ficar por uma resolução conveniente e resolvida às três pancadas, para invalidar tamanho “suspense” criado com um ritmo de caracol, naquele que será um dos anti-climaxes do Festival, seguramente.
Não é que estivesse a pedir sangue, mas… no final apeteceu mesmo dizer: “então as cartas foram tão bem baralhadas para termos… isto?”
| André Gonçalves |

