Queer Lisboa 2012: «Keep the Lights On» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Se em “Weekend” testamunhámos a uma relação fugaz intensa, em “Keep the Lights On” (vencedor do Teddy Bear este ano no Festival de Berlim) temos um pouco do oposto. A intensidade permanece, atenção, mas a relação retratada aqui é sem dúvida muito menos romântica e cor-de-rosa. Também conhecemos este padrão de relação muito  bem, nem que seja por conhecermos alguém nessa situação. Uma relação que atinge limites doentios de dependência(s), de corta-cola à exaustão, enfim… o que eu decidi apelidar de relação “karmico-frustrada” (que partilha quase o mesmo sentimento daquele primeiro amor que não se despega). 

Erik conhece Paul, na altura no armário, e inicia assim uma relação que se prolongará uma década. A instabilidade, quer de um quer de outro, atinge alguns níveis de saturação, mas não há como negar: “Keep the Lights On” é realista mais até do que o  suficiente, tanto recuperando a estética do “New Queer Cinema” do início dos anos 90 (aqui pontuada com uma banda sonora memorável de Arthur Russell) , como preocupado em tornar esta obrao mais intemporal possivel, por muito que tenhamos uma indicação precisa do tempo. No final, sentimos também um efeito-espelho.Ou pior (ou melhor), que percorremos dez anos de relação destas pessoas em 100 minutos, e sentimo-nos tão cansados como a correr uma mini-maratona. Mas em boa verdade, Ira Sachs conseguiu atingir o objetivo a que se propôs: criar um dos retratos mais precisos de uma relação humana que o espectador vai ter o (des)prazer de assistir – o “yin” para o “yang” de “Weekend“, seja. 
 
 
 André Gonçalves
 
 
 

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