Estamos no pacífico mundo rural da Inglaterra, onde dois orientadores e um grupo de quatro adolescentes disfuncionais vão passar um fim-de-semana rústico. Ocorre que existe por lá um bando de nativos que são um pouco mais do que simplesmente hostis a forasteiros.
Trata-se daquelas histórias de pessoas da cidade que vão dar a locais habitados por aldeões pouco recomendáveis – mas aqui o realizador inglês Alex Chandon leva a coisa às últimas consequências. O cineasta já acumula mais de uma dezena de filmes de terror de baixo orçamento e este “Inbred”, que será lançado no seu país este mês, é mais um deles – tendo custado £ 125 mil.
Um dos pontos mais divertidos deste filme é a associação que o realizador faz do seu próprio gosto por entranhas ao léu com o notório desejo de sangue do próprio público de cinema, de terror em particular. Não por acaso, a história começa com os jovens no autocarro a assistir no telemóvel ao filme de um casal a ser cortado aos pedaços por golpes de machado…
Com os “espetáculos” que vai oferecer a eles (e ao espectador) a seguir, parece querer dizer: “Vocês querem disto? Então tomem lá, mas não reclamem – nem peçam clemência!”. Aliás, há uma cena hilária em que o apresentador de um dos “shows” macabros manda o seu público pôr óculos – de repente parece que aquela escumalha ávida de vísceras fica bastante parecida com plácidos espectadores de cinema 3D…
“Inbred” não é totalmente a sério, mas também não é a brincar: é sempre inquietante e, na sua reta final, simplesmente sufocante.
O Melhor: Dá ao público de terror aquilo que ele quer… e não lhe concede clemência
O Pior: Como muitas vezes, o excesso de violência ameaça perder o significado em si mesmo
| Roni Nunes |

