MOTELx 2012: «Midnight Son» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Se existir alguém hoje em dia que, não sendo mulher, nem adolescente, ouça falar numa love story vampiresca e não saia a correr à procura do filme para o incinerar, é porque algo está errado. A coisa piora se ele souber que o vampiro é estilo o Robert Pattinson, um galã torturado e que se auto impõe de dolorosos limites para não magoar a sua amada…

Na verdade, esse não é, mesmo, um grande problema em “Midnight Son”. Com exceção desse paralelo, este projeto de baixo orçamento nada tem a ver com a famigerada história de Stephenie Meyer. Jacob (Zak Kilberg) é, de facto, um tipo torturado, a viver uma existência extremamente solitária, que não pode sair à noite e tem uma especial apetência por sangue, que ele arranja junto de um matadouro – pelo menos até descobrir que aquele vindo de outra procedência (humana, claro) é muito mais saboroso… Esta descoberta ocorre em simultâneo com outra, a do seu afeto por Mary (Maya Parish), uma vendedora de doces e tabaco. O que lhe coloca um enorme problema…

O filme é totalmente intimista, com poucos personagens e cuja ação centra-se no drama do protagonista. A opção é por retratar o “vampiro”, que nem sequer se reconhece como tal, pelo prisma científico, e não fantástico: ele tem uma doença rara, que faz com que a sua pele queime quando ele sai ao sol, para além de lhe causar a sua estranha necessidade de beber sangue. Esse universo é criado de forma lenta, mas poética e triste, cujo drama é agravado por uma consciência moral do vampiro que o constrange na hora de procurar aquilo que ele mais precisa.

O problema maior é que o filme não extrai as possibilidades que consegue criar. A sua história, que envolve diferentes dramas – a solidão, o amor, os relacionamentos, a arte, a moral e até algum vislumbre existencialista – nunca chega atingir um nível mais elevado, embora as oportunidades estivessem lá. É o primeiro filme do realizador Scott leberecht… Quem sabe da próxima vez…

O Melhor: a atmosfera poética criada à volta da história do “vampiro”
O Pior: a não concretização das possibilidades dramáticas
 
 
 Roni Nunes
 

Últimas