MOTELx 2012: «V/H/S» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Um dos filmes mais esperados do Motelx 2012 é, inquestionavelmente, a antologia de terror “found footage” «v/h/s» que tem vindo a dominar os festivais do género desde a sua aclamação em Sundance. 

Nesta antologia seguimos um grupo de assaltantes que procura numa casa – onde o proprietário está morto numa cadeira – uma cassete VHS com um conteúdo que nem eles sabem qual é suposto ser. Uma a uma, eles veem as cassetes, cujos conteúdos são do mais tenebroso imaginável. 

«v/h/s» é pura frustração. Por um lado, vem realizado por jovens e ambiciosos realizadores do terror indie americano, como Ty West («THe Innkeepers») ou Adam Wingard («You’re Next»), e isso sente-se. É um filme com ideias curiosas, imagens tenebrosas e que não hesita na hora em ser violento. Aliás, todos os capítulos conseguem provocar um arrepio a certo ponto. 

Mas, por outro, parece ser terror indie americano subjugado ao poder das duas e desinteressantes grandes modas do terror global. O formato Found Footage (da escola «The Blair Witch Project» e «Paranormal Activity») força os filmes a apresentarem sempre os mesmos truques, as mesmas surpresas e na realidade, os mesmos saltos de lógica. Fica sempre a dúvida – quem editou isto? «Blair Witch» efetivamente simulava ser uma cassete, mas «v/h/s» é absurdo na forma como cola as imagens – como poderíamos ver quem assiste à cassete ao mesmo tempo que vemos a cassete? 

Mas talvez mais frustrante seja o formato antologia, presente em filmes como «Theater Bizarre» (que esteve no Fantasporto 2012). Cada filme de «v/h/s» tem 25 a 30 minutos nos quais temos uma introdução banalíssima, depois uma construção climática e finalmente uma recta final assustador. O pára-arranca apenas serve para frustrar – imaginem o que é ver 5 introduções de adolescentes marotos e marginais em apenas 2 horas e ver cada filme de terror acabar quando finalmente está a aquecer. 

No final, de destacar o primeiro segmento «Amateur Night» e o último «10/31/98», que são os mais assustadores. O primeiro algo terreno batido, mas o derradeiro verdadeiramente surpreende e é, provavelmente, o motivo pelo qual o filme tem sido tão apreciado. 

Já «Second Honeymoon» ou «Tuesday the 17th» são rotina banal e desgraçada, e «The Sick Thing That Happened to Emily When She Was Younger» pode brincar com a ideia de terror no Messenger, mas acaba por não oferecer mais do que mera forma, sem conteúdo. 

Fica a ideia que «v/h»s» é um showcase de talentos do terror indie e que alguns deles merecem ser seguidos com atenção. Para enorme surpresa, Ty West, do surpreendente «The Innkeepers», é quem assina o mais desinteressante de todos os capítulos. 

O melhor: O efeito surpresa em «10/31/98»

O pior: Porquê a aposta inacabável no Found Footage, quando ele nada traz à história e os cineastas dizem mesmo não gostar do formato?

 

 
 José Pedro Lopes

 

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