Os sonhos eróticos repletos de um sadismo sangrento e necrófilo altamente requintados da adolescente Pauline (Anna Lynne McCord), uma espécie de “Carrie” no limite da sociopatia, são o “negativo” da sua radiografia mental. Vivendo numa família ela própria disfuncional, com uma mãe católica onipresente (Traci Lords, a ex-rainha do porno), um pai ausente e uma irmã mais nova gravemente doente, enfrenta todos os dias a opressão materna e o desprezo, quando não o ódio, dos colegas – numa fase crucial da adolescência.
O primeiro filme do norte-americano Richard Bates Jr. faz jus a certas tradições do género ao conceder protagonismo aos párias sociais, aos deslocados, só que neste caso com um ávido (à beira do erótico) gosto por sangue, cadáveres e procedimentos cirúrgicos. Toda a construção do filme e da personagem são uma preparação para sua tour de force – a sua “excision”…
Mas é nas fantasias de Pauline que “Excision” se eleva a um patamar superior ao aproveitar a liberdade catártica dos sonhos e oferecer um verdadeiro banquete visual – onde, desvinculado do real, permite-se situar sobre um fundo verde-mar “coreografias” e figurinos diversos – verdadeira poesia mórbida neo-romântica que deliciaria Lord Byron, com suas mulheres cadavéricas seminuas, esguichos de sangue, necrofagia e amputações.
O Melhor: as cenas de sonhos/fantasias
O Pior: o final, apesar de tudo, é um tanto implausível
| Roni Nunes |

