Faz de conta que ainda estamos no tempo em que determinados artifícios visuais e cénicos não eram tão importantes para os filmes de terror – embora a maquiagem e os efeitos visuais tenham estado sempre presente em exemplares do género. Neste tempo, não havia torturas, membros amputados, banhos de sangue … – onde o terror emocional cedeu lugar ao choque visual.
THE BUTTERFLY ROOM
Saudável recuperação do cinema de terror psicológico, sem os excessos visuais ou sensitivos que tantas vezes acompanham o género nos dias que correm.
O filme acaba por conectar duas ramificações cujos pilares fundamentais vêm dos anos 60. Numa delas, vai buscar o já mitológico arquétipo da mãe possessiva e dilacerada pelo medo da perda – figura notória de “Psicose”, de Hitchcock; na outra, trata da irresistível atração dos colecionismos macabros, também celebrizado em outro clássico daquela década, “O Obcecado” (1965), de William Wyler. Ambas as linhas fizeram história.
Com estes elementos, somados à utilização das borboletas como símbolo de transformação – outro resgate… – o realizador italiano Jonathan Zarantonello cria uma fábula bela e sombria sobre relações de poder e afeto tendo uma “bruxelesca” Barbara Steele a comandar a vida e a morte na sua misteriosa “sala das borboletas” (a atriz, aliás, esteve em clássicos de terror de Mário Bava e Roger Corman).
Um argumento consistente, que promove uma grande reviravolta ao introduzir uma personagem essencial só no meio do filme, com personagens e relações bem construídas, garantem um filme sempre interessante, mas que ganha enormemente no terço final – com uma excelente solução e uma ótima cena final.
O Melhor: o argumento e o resgate de um terror mais clássico
O Pior: existir cada vez menos filmes assim
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| Roni Nunes |

