A culpa é da tradição ancestral que estipula que todo o filme de terror divertido, inteligente e bem-sucedido deve ter sequelas – o que normalmente o leva até a paródia. Dos males o menor: existem algumas continuações, muito frequentes em Hollywood, que se levam a sério – e aí temos aquelas situações grotescas onde uma grande obra dá origem a uma longa série de filmes inúteis.
No caso de “REC3”, a coisa não vai tão longe, mas o principal senão é que ficamos a pensar se não havia mesmo material para mais um de filme de terror a sério. É certo que a coisa já tinha ficado ameaçada com “REC2”, por muito pouco não “abandalhado” pelo fantasma de Linda Blair. Mas também era suficientemente inventivo para que se tivesse esperanças no futuro do franchise como cinema de terror.
Paco Plaza, que agora trabalha sozinho (é de conferir ainda no Motelx o que seu ex-parceiro, Jaume Balagueró, que aparece por aqui com “Sleep Tight”, anda a fazer), pelos vistos achou que não. O resultado é um filme que demora a se assumir como paródia. Quando o faz, embora nem sempre seja realmente cómico, alcança os seus melhores momentos – a arrancar gargalhadas ao estilo do mais puro cinema trash. Pobres zombies, não há maneira de os deixarem em paz…
O melhor: é mais cómico que qualquer filme do Adam Sandler
O pior: talvez pudesse ter rendido outro filme de terror a sério
| Roni Nunes |

