Este floreio estilístico do realizador Paul China mais parece um filme dos irmãos Coen com machadadas do que uma obra de terror – o que em si não é bom nem mal. As lições de como provocar suspense – via Hitchcock/De Palma – foram aprendidas e decoradas, com a sua abundância de primeiros planos e as suas alternâncias entre longos silêncios e orquestrações ostensivas. Com um tom irónico, mas sem nunca cair na via fácil da paródia, traça um retrato claustrofóbico dos azares de um pequeno grupo de pessoas num buraco qualquer nos confins da Austrália.
A construção é lenta, com o realizador frequentemente a forçar os limites que separam a espera tensa do tédio. Esses excessos tiram em certos momentos a força do filme, criando mais expectativas do que resultados efetivos. Em “Crawl” fica-se sempre à espera de algo inventivo ou surpreendente para interromper o rumo das coisas, mas essas soluções não são tão espertas quanto isso. Apesar disto, com um argumento sem falhas e com todos os elementos nos lugares certos, é um filme divertido e singular, com destaque para um assassino entre a vilania pura e a farsa pitoresca.
O Melhor: é suficientemente singular e bem filmado para manter o interesse
O Pior: abusa nas técnicas do suspense, criando expectativas a mais e soluções a menos
| Roni Nunes |

