Queer Lisboa 2012: «Ce n’est pas un film de cow-boys» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Vencedor da Queer Palm para curtas-metragens na mais recente edição do Festival de Cannes, “Ce n’est pas un film de cow-boys” (“Não é um filme de cowboys”) é uma fascinante curta composta basicamente por dois diálogos paralelos que decorrem numa casa de banho, com o mesmo ponto de partida: a longa-metragem “Brokeback Mountain”, e sua exibição na tv na noite anterior. 

Neste caso concreto, falamos obviamente do efeito socio-cultural desconcertante (e educativo) que ainda hoje o filme de Ang Lee traz – afinal de contas, será ainda o filme de temática LGBT com maior “crossover” da história, logo muito do contacto do mundo “hetero” mais fechado começa e acaba aqui. No urinol da casa de banho dos rapazes, um rapaz vira-se para o seu colega, perguntando-lhe em primeiro lugar se tinha visto o filme, e face à resposta negativa, relatando a história de acordo com a sua experiência pessoal. Na casa de banho ao lado, duas amigas falam também sobre o filme, mas de uma maneira inicialmente mais descomplexada e mais abrangente… uma delas tem um pai “gay”, o que traz à conversa todo um outro tema, que acaba com uma tirada mais infeliz por parte da sua amiga. 

Todos sabemos que, se algumas das melhores ideias surgem neste espaço, alguns dos melhores diálogos que teremos também surgirão. “Ce n’est pas un film de cow-boys” é prova disso. Benjamin Parent soube fazer um filme inteligente e realista nas suas intenções, captando traços de uma sociedade contemporânea e de uma nova juventude, potencialmente mais tolerante. E não, este não é um “filme gay”…
 
 
 André Gonçalves
 

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