Jorge, um escritor de literatura erótica com dificuldades de se relacionar emocionalmente, ouve um tiro no quarto ao lado da pensão onde passou a noite com uma prostituta. Curioso, tropeça no que lhe parece ser um suicídio de alguém com uma vida perfeita e vai-se apaixonando por essa vida e tornando nessa pessoa. Este é um filme de aparências, projeções e desejos, onde as coisas raramente são o que parecem, dobradas às expectativas de Jorge.
Com várias referências cinematográficas e nomes conhecidos nos papéis principais, este é, apesar do conceito interessante, um filme pouco surpreendente, que falha em conseguir estabelecer uma empatia, não permitindo uma verdadeira identificação com qualquer uma das personages, talvez por causa da paleta de cores escolhidas, talvez por causa do tom distante usado. Talvez a personagem mais humana, desempenhada por Rita Durão, que ainda há pouco esteve nos cinemas com “A Vingança de uma Mulher”, é a que é pior tratada pelo argumento.
É esse mesmo o ponto mais fraco do filme: da forma como está construído, mais do que uma troca de identidades, o filme parece ter um ponto de vista de uma masculinidade retrógrada para quem as relações e a família são uma prisão, quase que parece ter sido feito há algumas décadas atrás. Pior que isso, é uma mulher que realiza o filme, tornando ainda mais desconcertante esta escolha.

João Miranda

