O registo LSF (Lost Souls Forever – jovens que se sentem alienados do mundo e que se apaixonam pela sua visão crítica de tudo o resto) tem vindo a dominar o cinema indie americano e europeu nos últimos anos. E como qualquer género sobre-exposto, tem entrado frequentemente em módulo automático e oferecido produtos que são tudo menos indie ou inspirados. Bom exemplo disso é o dececionante ‘Restless’ de Gus Van Sant – um filme tão rotineiro e banal como uma comédia romântica de grande público.
Kamen é um estudante de arte que precisa de atravessar a Bulgária para ir ao funeral de um amigo. Enquanto pede boleia numa estrada, uma misteriosa rapariga chamada Avé começa a pedir boleia ao lado dele. Os dois jovens acabam por se juntar na viagem, isto apesar de Avé ser sempre provocadora e algo descontrolada, com uma tendência para arranjar problema.
{xtypo_quote_left}‘Avé’ é uma viagem intima e intimista pela Bulgária rural, na companhia de dois jovens talentos que são Angela Nedialkova e Ovanes Torosian. {/xtypo_quote_left}Vencedor do prémio FIPRESCI em Varsóvia e presente na competição pela Câmara D’Ouro em Cannes, ‘Avé’ é um excelente sinal do novo cinema europeu, que surge nos países de leste com uma linguagem artística mas acessível, e uma fluidez de personagens desarmante. Angela Nedialkova, a Avé do título, é uma total revelação, sendo uma atriz que valerá a pena seguir.
Esta viagem pela velha Bulgária, através dos olhos de dois jovens, acaba apenas por perder alguma força no último ato, onde o realizador Konstantin Bojanov parece sacrificar o ritmo e a dinâmica estabelecida pelas personagens para tentar englobar mais personagens e um contexto maior.
O Melhor: Angela Nedialkova emana carisma.
O Pior: A reta final.
| José Pedro Lopes |

