No futuro, o aumento vertiginoso da temperatura da Terra faz com que a vida se torne quase impossível. O Sol arde durante o dia e só é seguro andar de noite. Duas irmãs percorrem o novo deserto alemão, à procura de água e de um novo sítio para viver. Nesta sua “road trip” vão com um namorado (provisório e por interesse – já que tem carro) de uma delas, onde irão descobrir que mais perigoso que o Sol é a maldade dos outros seres humanos.
‘Hell’ cria um mundo original e interessante que lhe permite caprichar muito em termos estéticos. Os exteriores são muito luminosos e a sobre-exposição da imagem torna as imagens difíceis de observar – o que funciona muito bem em ecrã – e todo o ‘design’ de produção é prestigioso (a quinta onde se passa o terceiro ato é um local adequadamente assombrado).
{xtypo_quote_left}“Hell” é visualmente arrojado e eficaz em termos de tensão, mas oferece muito pouco de origina.l {/xtypo_quote_left} As duas irmãs que nos acompanham nesta viagem pela sobrevivência são bem escritas e carismáticas, não vivendo de “clichés” demasiado óbvios, e a realidade é que ‘Hell’ é um filme atmosférico e emocionante (como a sequência na bomba de gasolina, pura tensão).
O terceiro ato acaba por enclausurar demasiado a ação (um pouco como também acontece em “28 Dias Depois”, que evoluiu de uma busca fora de portas para uma luta dentro de portas) mesmo que crie um leque de personagens sórdidas o suficiente para nos manter tensos, com duas vítimas tornadas guerreiras em bom estilo “Mad Max”.
Competente e eficaz, o principal problema de “Hell” é que vive demasiado de referências – um pouco de “28 Dias Depois”, um pouco de “Mad Max”, um pouco de “Massacre no Texas”, mas muito pouco de originalidade.
O Melhor: Hannah Herzsprung, vai de vítima a guerreira do deserto.
O Pior: O último ato em vez de dar um passo em frente, dá um passo atrás.
| José Pedro Lopes |

