Os filmes que chegam tão atrasados a Portugal têm destas coisas: o mais provável é a maioria dos espectadores do Fantasporto quererem assistir a ‘Attack the Block’ pelo privilégio que será viver esta aventura no grande ecrã – e para poderem aplaudir e partilhar aquela que é uma das estreias na realização mais inspiradas desde ‘Reservoir Dogs’ (Cães Danados) de Quentin Tarantino.
Uma série de extra-terrestres negros e selvagens despenham-se em plenos subúrbios de Londres. A invasão à escala mundial está prestes a começar, caso Moses e os outros miúdos do bairro não travem os monstros de organizarem a sua ofensiva.
‘Attack the Block’ é um delírio e é tudo aquilo que ‘Super 8’ queria ser mas não conseguiu. É uma aventura juvenil com contornos fantásticos, sonhadora e inspirada, com duas virtudes que falharam a JJ Abrams: por um lado, ‘Attack’ é um filme moderno e actual, esteticamente e em termos de valores, e por outro conta com vilões tão interessantes quanto os heróis.
{xtypo_quote_left} ‘Attack the Block’ é uma pérola do cinema fantástico – é divertido, é rápido, é inteligente, é hilariante, é assustador e é assombroso. Para ver, rever. Um culto. {/xtypo_quote_left}De ‘setup’ em ‘setup’, o estreante Joe Cornish gere perfeitamente as doses de humor e de ação, oferecendo bastantes sustos ao mesmo tempo que não descura um contexto de fição científica original e curiosamente rico. Se há coisa que não podemos questionar é o valor do novo cinema britânico, especialmente na área do fantástico. De Edgar Wright (‘Shaun of the Dead’, ‘Scott Pilgrim vs the World’) a Neil Marshall (‘The Descent’, ‘Centurion’), de Christophe Smith (‘Triangle’, ‘Black Death’) a Philip Ridley (‘Heartless’, vencedor do Fantas 2010), é no Reino Unido que o cinema fantástico mais criativo e energético está a ser criado, rivalizando e derrotando claramente a falta de inspiração de Hollywood e outros mercados históricos. Agora é aguardar a próxima pérola do Joe Cornish…
O Melhor: Joe Cornish gere acção, humor, terror e ficção científica como precisavamos que os nossos políticos gerissem o nosso país.
O Pior: Não podermos aplaudir Moses junto com aquela multidão.
| José Pedro Lopes |

